quarta-feira, 9 de junho de 2010

Alimento orgânico é mais barato na feira

Segundo dados do Idec, supermercados cobram até 115,29% mais por produto sem agrotóxicos

O consumidor de produtos orgânicos que se preocupa não apenas com uma alimentação saudável, mas também com os preços, deve fazer compras nas feiras. Nas bancas de rua, é possível achar os mesmos itens por valores bem abaixo dos praticados por supermercados e empresas que entregam em domicílio.

Esta é a conclusão da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que verificou o custo de alimentos orgânicos nos três canais de vendas. O resultado foi uma variação de até 115,29% entre os preços cobrados pelas feiras especializadas neste tipo de alimento e pelos supermercados, como é o caso do tomate.

"As feiras são o canal preferencial de venda das frutas, verduras e legumes orgânicos", admite Ivo Gramkow, vice-presidente da Associação Brasileira de Orgânicos (BrasilBio). Segundo ele, o produtor costuma vender diretamente ao consumidor na feira - já que 70% dos orgânicos do Brasil são cultivados no modelo de agricultura familiar. "E, por não ter os custos de intermediação que existem em supermercados, os produtos tendem a ser mais baratos", diz.

Para a pesquisadora do Idec, Adriana Charoux, os supermercados cobram mais caro porque embutem uma margem de lucro excessiva nos orgânicos. "Como se trata de um tipo de alimento mais consumido por pessoas de maior poder aquisitivo, as empresas acabam apostando nesse nicho e aproveitam para cobrar mais", avalia Adriana. (...)

Martinho Paiva Moreira, vice-presidente de comunicação da Associação Paulista de Supermercados (Apas), conta que os orgânicos são mais caros nas grandes redes por conta dos custos de investigação de cada um dos produtores, e, assim, certificar se a produção é realmente orgânica. "A estrutura de verificação é mais cara", diz Moreira. "Porque o supermercado tem uma responsabilidade grande, não pode anunciar que o produto é orgânico se ele não for." (...)

Fonte:
Jornal da Tarde - SP, 21/4/2010.

- Confira a íntegra da matéria e os endereços das principais feiras orgânicas da cidade de São Paulo em: http://pratoslimpos .org.br/? p=965

Resíduos de agrotóxicos: o consumidor tem direito de saber o que come



Resíduos de agrotóxicos: o consumidor tem direito de saber o que come



Cenário preocupante sobre o uso de agrotóxicos no País foi retratado em mesa redonda promovida pelo Idec e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em São Paulo, na terça-feira, 13, por Reinaldo Skalisz, representante do Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC) e consultor da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar).

Funcionário aposentado da Secretaria da Agricultura do Paraná e com larga experiência na fiscalização do uso de agrotóxicos, Skalisz apontou que o número de ingredientes ativos aprovados para aplicação são muito mais numerosos do que os que são de fato monitorados. Isso sem falar na série de agrotóxicos que já foram banidos e continuam sendo detectados.

“O consumidor está vulnerável. Há muita informação que afeta diretamente sua saúde que não chega ao seu conhecimento” , disse. “Cabe ao consumidor exercer sua cidadania e cobrar pelos seus direitos e cabe ao governo criar meios que façam essa informação chegar de forma mais eficiente para o consumidor”, acrescentou Skalisz.

Daniela Macedo Jorge, especialista em regulação e vigilância sanitária da Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa, apresentou dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos e Alimentos (PARA), revelando os altos índices de contaminação de alimentos que vêm sendo detectados ano a ano pelo programa. A especialista relacionou o alto volume de compras de agrotóxicos no país no primeiro trimestre de 2010 (cerca de R$60 milhões) com o excesso de resíduos do produto encontrado nos alimentos.

O uso indiscriminado de agrotóxicos afeta tanto a saúde humana, colocando em risco agricultores e consumidores, quanto o meio ambiente. Para a saúde, o veneno pode provocar desde náuseas, tonteiras, dores de cabeça ou alergias até lesões renais e hepáticas, cânceres, alterações genéticas etc.

A principal conclusão da mesa redonda foi a de que, além de fiscalização eficiente, é necessário garantir ao consumidor o acesso à informações claras sobre a qualidade e a segurança da comida que chega à sua mesa.

Extraído de:
Idec, 14/04/2010.

Transênicos NÃO!


Manifestação contra transgênicos em Madri reúne 15 mil

15 mil pessoas se manifestaram este mês em Madri, na Espanha, sob o lema “Por uma Alimentação e uma Agricultura Livre de Transgênicos”. Agricultores, ecologistas e consumidores de todo o estado foram à cidade exigindo do governo que siga o mesmo caminho tomado por países como a França, a Alemanha e a Áustria e proíba o cultivo de milho transgênico na Espanha.


A Espanha é o único país da União Europeia que cultiva transgênicos em grande escala. No ano passado foram 76 mil hectares cultivados com milho GM. Este cultivo se desenvolve sob uma absoluta falta de transparência e controle, com numerosos casos de contaminação de colheitas e alimentos.

Segundo os manifestantes, este é o semestre de Presidência da Espanha na União Europeia e o governo tem ainda mais responsabilidade para impulsionar um outro modelo de agricultura e alimentação. Apesar disso, quando a Comissão Europeia aprovou há poucas semanas o cultivo de uma batata transgênica, a Espanha foi um dos poucos países que apoiou a decisão.

Extraído de:
Amigos da Terra - Espanha.

Abafarão novamente a verdade???




Pesquisador que observou efeitos nocivos do glifosato é vetado em evento

Andrés Carrasco, o pesquisador argentino do CONICET (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas - Argentina) que comprovou através de pesquisas com anfíbios efeitos nocivos à saúde provocados pelo glifosato -- princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, usado nas lavouras transgênicas Roundup Ready (ver Boletim 437) -- denunciou como ato de censura o veto à sua palestra prevista para a Feira do Livro 2010, na Argentina.

Em carta à presidenta do CONICET, a Dra. Marta Rovira, Carrasco sugere que o caso implique “censura de uma pesquisa científica realizada no país para bloquear sua difusão pública”, e o considera um “bloqueio que prejudica a liberdade acadêmica ao subordinar-se a interesses alheios à ciência, ao mesmo tempo em que é uma mensagem de disciplinamento para todos aqueles que tentem fazer uma crítica, desde o sentido da ciência, a critérios e políticas instituídas pelo poder econômico e seus porta-vozes. A Feira do Livro é um evento de marketing que acontece todos os anos no âmbito da Sociedade Rural Argentina.

Leia a íntegra da matéria publicada pela Argenpress.info e da carta enviada por Carrasco à Dr. Rovira em: http://www.argenpre ss.info/2010/ 04/argentina- fumiguen- la-ciencia. html

N.E.: Não é a primeira que um pesquisador que divulga dados sobre efeitos danosos de produtos das multinacionais do agronegócio é boicotado no meio científico. O primeiro caso -- e o mais famoso -- é o do pesquisador Arpad Pusztai, que em 1998 foi demitido do Instituto Rowett, um dos mais renomados da Grã-Bretanha, após divulgar efeitos do consumo de batatas transgênicas em ratos de laboratório. Aliás, não só foi demitido: sua equipe dissolvida, os documentos e computadores confiscados, e também foi proibido de falar com a imprensa. Em seu livro e documentário “O Mundo Segundo a Monsanto”, a jornalista francesa Marie-Monique Robin descreve com deta lhes este e outros casos.

Mandinga coorporativista....


O ISAAA (Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia, na sigla em inglês) é uma ONG das empresas de biotecnologia que anualmente divulga um relatório apresentando dados sobre o cultivo de transgênicos em todo o mundo. Os dados são amplamente divulgados como verdadeiros pela imprensa nacional e internacional. Entretanto, como já dissemos no Boletim 478, a organização em geral não divulga suas fontes -- o que torna as informações questionáveis. O Brasil, por exemplo, não possui dados oficiais sobre a área plantada com transgênicos. Por que deveríamos su por que o ISAAA não superestimaria os números buscando atender os interesses da indústria?

A ONG estadunidense Food First publicou este mês um artigo justamente questionando os dados apresentados pelo ISAAA em seu último relatório. Confira abaixo a tradução feita pela AS-PTA:

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A ciência da esperança: relatório do ISAAA sobre lavouras transgênicas

“O mundo em desenvolvimento abraça a controversa tecnologia”, declarou o título de um artigo recente da revista Economist, referindo-se às lavouras geneticamente modificadas. Esta é uma afirmação um tanto chocante a ser atribuída tão categoricamente ao mundo desenvolvido como um todo. Certamente deve estar fundamentada em um conjunto de dados provenientes pesquisa rigorosa e eticamente sólida...

O artigo apresenta o relatório recentemente divulgado pelo ISAAA. (...) Embora a Economist classifique o grupo como uma “organização não governamental que monitora o uso de sementes transgênicas”, o ISAAA é na verdade um grupo financiado pelas indústrias para exercer influência política, cuja missão é promover a adoção das sementes transgênicas em países em desenvolvimento. Entre os financiadores passados e atuais estão a Monsanto, Syngenta, Pioneer Hi-Bred, Cargill, Dow, DuPont, Bayer CropScience e CropLife International. Desde a divulgação do relatório “Situação Global& rdquo; em fevereiro último, as estatísticas do ISAAA já foram citadas em artigos do New York Times, Financial Times, Wall Street Journal e USA Today. Dos quatro, apenas o USA Today observa que o ISAAA é “financiado pela indústria de biotecnologia” .

E, enquanto a indústria, governos e a mídia continuamente citam as estatísticas do ISAAA, uma análise mais cuidadosa dos últimos relatórios revelaram números altamente exagerados baseados em ciência duvidosa. Por exemplo, a revista Science in Society relatou as seguintes discrepâncias:

- O relatório do ISAAA de 1998 alegava aumentos de produtividade da soja transgênica em relação à soja convencional da ordem de 12%. Entretanto, uma revisão dos resultados de mais de 8.200 testes de campo feitos em universidades mostraram uma redução média de 7% para a produtividade da soja transgênica.

- Em 2003, o ISAAA listou a Índia como um “produtor chave de transgênicos” baseado na primeira lavoura transgênica do país, o algodão Bt. De acordo com o ministério de agricultura da Índia, no entanto, em 2002/2003 “o algodão Bt cobriu uma área de apenas 38.038 hectares, representando apenas 0,51% da área plantada com algodão naquela safra. Em 2003/2004, safra que foi beneficiada por boas chuvas, a área de algodão Bt aumentou para 92.000 hectares. Esta área é quase insignificante comparada aos 9 milhões de hectares cultivados com algodão no país. Isto mostra a baixa aceitação do algodão Bt entre os agricultores.

- Analisando a produção de algodão transgênico na África do Sul em 2003, Aaron de Grassi, do Instituto para Estudos em Desenvolvimento da Universidade de Sussex, no Reino Unido, notou que os números do ISAAA eram 20 vezes maiores do que aqueles alegados por outras fontes da própria indústria de biotecnologia e mais de 30 vezes maiores do que aqueles oriundos de pesquisas acadêmicas realizadas pela Universidade de Reading, também no Reino Unido.

No relatório, o ISAAA atesta que as lavouras transgênicas na África do Sul têm sido um inconteste sucesso, com o total da área plantada com sementes transgênicas aumentando de 1,8 milhão de hectares em 2008 para 2,1 milhões de hectares em 2009 -- um incremento de 17% “atribuído principalmente a um aumento na área plantada com milho transgênico”. O relatório deixa de mencionar a quebra de produção de 80% sofrida por variedades transgênicas de milho da Monsanto na África do Sul em 2008/2009. Segundo a ONG African Center for Biosafety, da África do Sul, a informação do ISAAA sobre o país se baseia em dados do FoodNCropBio, uma empresa privada de consultoria sobre biotecnologia, que obtém seus dados de registros confidenciais de vendas de sementes e estimativas baseadas na “intenção de plantar”. Como o governo não realiza o levantamento do número de hectares plantados com sementes transgênicas no país -- e como os grãos transgênicos e não transgênicos não são armazenados separadamente -- é praticamente impossível se verificar os números.

Acima de tudo, o ISAAA observa um aumento de 9 milhões de hectares da área plantada globalmente com transgênicos entre 2008 e 2009 -- um aumento de 7%. Um olhar mais de perto sobre os números mostra que a esmagadora maioria deste aumento ocorreu em apenas um punhado de países. O Brasil sozinho responde pelo aumento de 5,6 milhões de hectares em 2008 -- 62% do aumento “global” total. Os três maiores produtores de transgênicos -- EUA, Argentina e Brasil -- contabilizam 82% (7.4 milhões de hectares) da área plantada com transgênicos. Dificilmente alguém poderia alegar um fervor global pelas lavouras transgênicas baseado nesses três países. (...)

Em uma brilhante estratégia de Relações Públicas, as indústrias químicas e de sementes conseguiram transformar propaganda em ciência através de organizações “sem fins lucrativos” como o ISAAA. A cobertura não crítica da mídia sobre o relatório anual “Situação Global” proporciona propaganda grátis para estas corporações e perpetua o mito da aceitação global aos transgênicos.

Talvez pior que isso, medir o “sucesso” das lavouras transgênicas com base no número de hectares plantados se apoia na falácia de que agricultores e consumidores fizeram uma escolha livre e informada sobre plantar e consumir produtos transgênicos. Na verdade -- como sugerem as batalhas em torno da rotulagem de alimentos transgênicos -- uma cidadania informada e empodeirada é o pior pesadelo da indústria de biotecnologia.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SAF MERMÃO!


Floresta que produz renda

Sistemas agroflorestais permitem a convivência harmoniosa de culturas gerando ganhos ao pequeno produtor e garantindo a preservação ambiental




Quatro famílias do Litoral estão aplicando a produção agroflorestal que já é sucesso há 15 anos em Adrianópolis e Bocaiúva do Sul
Morretes - No início de maio, dois agricultores de Morretes, no Litoral do estado, abriram os portões de suas terras, dois lotes da Gleba Pantanal, um assentamento do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra), de cerca de 2 alqueires cada um, para começar ali um sistema de plantio diferente do tradicional. Ao invés de reservar áreas específicas do terreno para cada espécie, como verduras e legumes, mandioca, banana e pés de limão e tangerina, por exemplo, todas estas plantas foram plantadas juntas, em distâncias e espaços cuidadosamente planejados, para que se desenvolvam de maneira harmoniosa, cada uma dentro do seu ciclo de vida.

A técnica tem nome. Chama-se Sistema Agroflorestal, também conhecido como SAF, uma forma de usar a terra de forma semelhante a uma floresta. Ou seja, no mesmo espaço, combina-se árvores frutíferas e madeireiras com cultivos agrícolas, ou até mesmo com a criação de animais, de forma simultânea ou em sequência temporal, e que vão interagir econômica e ecologicamente.

No Paraná, o sistema já está em uso há cerca de 15 anos na região do Vale da Ribeira, nos municípios de Adrianópolis e Bocaiúva do Sul, localizados ao norte de Curitiba. O sistema foi desenvolvido pela Cooperafloresta, que, apesar do nome, funciona como uma associação, envolvendo 110 famílias de agricultores familiares de Barra do Turvo, município paulista na divisa com o Paraná, de Adrianópolis e Bocaiúva do Sul.

No Litoral, quatro agricultores já implantaram o sistema, dois em Morretes e dois em Antonina. A idéia de levar o sistema para o Litoral partiu de técnicos da Embrapa Florestas, de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), e contou com apoio de outros órgãos como o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), prefeituras, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Seti), que viabilizou recursos, e da Cooperafloresta, que está ensinando a técnica aos agricultores. A atividade faz parte do Projeto Juçara, criado há um ano pela Seti e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com objetivo de preservar a palmeira juçara, típica da região. A juçara está em extinção vítima de corte ilegal para extração do palmito. A árvore, no entanto, também produz frutos, cuja polpa é muito semelhante ao açaí.

O engenheiro agrônomo Luís Cláudio Maranhão Froule, pesquisador da Embrapa, conta que a idéia surgiu a partir de algumas demandas na região. A primeira, em função de um levantamento feito pelo Conselho Regional de Desenvolvimento Rural, Pesqueiro e do Artesanato do Litoral Paranaense (Cordrap), que apontou dez espécies nativas em risco, entre elas a juçara e a caxeta (que produz uma madeira macia). A segunda, foi o fato do local estar próximo de uma Área de Preservação Ambiental (APA), o que acarreta em muitas restrições para exploração do local.

A primeira preocupação foi garantir que a população local continuasse produzindo juçara, ''mas sem caracterizar uma atividade ilícita'', ressalta Froule. Ele conta que a juçara produz o palmito em quatro anos, mas é preciso cortar a árvore para extraí-lo. Já o fruto aparece a partir de oito anos, mas tem caráter longíveo, ou seja, vai dar frutos todo ano por 30 anos ou mais. ''Quando pensamos em inserir a juçara em um sistema de produção, já se pensou em um sistema estratificado' ', explica. Isto porque a juçara é uma espécie que requer sombras e, portanto, não poderia ser plantada em sistema de monocultura.


Maigue Gueths
Equipe da Folha


22/05/2010
Colheita garantida sempre


O engenheiro florestal Artur Dalton Lima, da Cooperafloresta, foi chamado para ensinar os agricultores do Litoral. ''O sistema é baseado na dinâmica sucessional da floresta. Têm sementes de tudo que é tipo no solo, esperando uma oportunidade, umas precisam de frio, outras de calor, de seca, de água'', resume. Falando assim, parece um caos na terra, mas na verdade todo o plantio é rigorosamente planejado.

A experiência pode ser vista no terreno do agricultor Élcio Alves de Alencar, em Morretes. Ali, a área destinada ao SAF foi organizada em carreiras, onde foram plantadas cerca de 60 espécies, intercaladas e em distâncias pré-determinadas, entre árvores nativas e agrícolas, com destaque para a palmeira juçara, banana e mandioca.

No meio da carreiras, a cada dois metros foram plantados seis tipos de bananeiras, intercaladas por pés de mandioca, aipim e inhame. Entre eles, culturas anuais, como o feijão e vagem. Na beirada das carreiras, há pés de árvores frutíferas, como limão, tangerina, abacate, pitanga, araça, jabuticaba, entre outras, e várias verduras. A substituição das espécies de ciclo curto vai acontecendo a medida que as outras crescem e fazem sombra, exigindo outras culturas.

As árvores, por sua vez, são manejadas com a poda, o que vai ajudar na recuperação do solo, e abrir possibilidade para novas culturas. Segundo o engenheiro agrônomo Luís Cláudio Maranhão Froule, engenheiro agrônomo da Embrapa Floresta, após uns três anos, a produção estará bastante focada em cima da colheita de frutas. ''A idéia é manter este sistema no campo o maior tempo possível'', diz Froule, ressaltando que em 30 anos, por exemplo, o agricultor poderá também pegar a madeira cultivada.

Artur Lima explica que a adubação é natural. Na parte de solo mais pobre, ele cobre toda a terra com uma forração de capim. ''O capim é rico em carbono, as folhas fazem a terra ser mais porosa, a não ressecar. Ao contrário dos agrotóxicos que ficam na terra, infiltram e contaminam o lençol freático, esse sistema traz vida à terra, aumenta a fartura e a diversidade, assim como aconteceria em uma floresta'', diz o engenheiro florestal da Cooperafloresta.

Élcio Alencar e a esposa, que moram há quatro anos na área em Morretes, plantam e vendem cana-de-açúcar, juçara, banana e principalmente mandioca, maior fonte de renda do casal. Por mês ele vende aproximadamente 1.200 quilos de mandioca para restaurantes da região. Outras culturas, como feijão, arroz, milho são só para consumo próprio. Ele se diz confiante no novo sistema. ''Estamos experimentando, o que é rasteiro, a salsa e a cebolinha vão crescer rápido, mas o mais rentável vai demorar'', diz ele, que acredita que a espera vale a pena. ''Esse tipo de produção vai ajudar a fortalecer a terra e é melhor para a saúde das pessoas'', aposta o agricultor. (M.G.)



22/05/2010
Bom para o produtor e para o meio ambiente


As vantagens no uso do Sistema Agroflorestal para o cultivo em relação ao convencional, tanto econômica como ambientais são várias. Para os agricultores familiares, os SAFs são uma opção estratégica, em função da diversificação da produção, que vai garantir colheitas em diferentes épocas do ano e durante vários anos. É uma garantia de produção tanto para o mercado como para a subsistência, com menos riscos climáticos e de mercado. Ou seja, significa mais rentabilidade.

Outra vantagem é que a área pode ser usada permanentemente, minimizando as derrubadas e queima de novas áreas, o que aumenta as chances de fixação do homem no campo. O sistema também reduz a demanda de fertilizantes em razão da eficiente ciclagem e da adubação orgânica, resultando em melhoria das propriedades físicas e biológicas do solo e na preservação da biodiversidade. Outro aspecto que determina a sustentabilidade desses sistemas é a presença das árvores, que têm capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo.

No lote do agricultor Élcio Alves de Alencar, a Embrapa decidiu aproveitar para fazer uma pesquisa. Ao lado do plantio do sistema, foi isolada uma área de mesmo tamanho, chamada de ''área testemunha'' , onde não foi feito absolutamente nada, deixando-a para regeneração natural da floresta. A idéia é comparar como será a recuperação das duas áreas. E a expectativa é que a prática da indução de um sistema agroflorestal, com plantio de espécies florestais e agrícolas, apresente melhores resultados do que simplesmente abandonar a área para que ela se recupere sozinha.(M.G. )


22/05/2010
Sistema garantiu qualidade de vida no campo


No Vale da Ribeira, a experiência dos Sistemas Agroflorestais já é realidade há quase 15 anos, ou mais exatamente desde 1996, quando duas famílias de agricultores da região deram início à Cooperafloresta. De lá para cá, a cooperativa de agrofloresta cresceu e hoje reúne 110 famílias de agricultores e quilombolas de 19 bairros de Barra do Turvo, no lado paulista, e dos municípios paranaenses de Adrianópolis e Bocaiúva do Sul.

''Muito mais do que uma alternativa de produção e geração de renda que conserva o meio ambiente, muitos de nós encontramos uma razão e sentido para a vida'', cita o site da entidade. Ali, uma das regiões mais pobres e de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado, mais do que uma alternativa de produção, o sistema resultou também em garantia de boa alimentação, com fartura e diversidade, para a população local.

Antes da agrofloresta, as famílias sobreviviam da produção de feijão cultivado em solos empobrecidos pelas queimadas e pela erosão. Cada produtor vendia sua colheita por conta própria, viajando de ônibus para cidades vizinhas. Para engrossar a renda, tinham que fazer bicos em outras áreas. Naquele tempo, a renda familiar não passava de 2 salários mínimos por ano.

Hoje, 180 hectares são cultivados pelo sistema de agrofloresta. Outros 360 hectares foram deixados para ação do processo natural de regeneração florestal, onde estão crescendo mais de 1 milhão de mudas de árvores e palmeiras nativas e exóticas. Na área de plantio, já foram plantadas uma das frutas mais caras do mundo, o mangustão, e diversas frutas amazônicas, além de verduras, bananeiras, jaca, mandioca, cana-de-açúcar, entre outros produtos.

A comercializaçã o, por sua vez, passou a ser feita coletivamente pela cooperativa. A maior parte (61%) vai para o Programa de Aquisição da Agricultura Familiar, que distribui os alimentos para escolas e creches, cerca de 26% são vendidos em Feiras Ecológicas de Curitiba, 6% vão para o Circuito de Comercializaçã o da Rede Ecovida de Agroecologia e 7% para o pequeno varejo.

Com isso, a renda das famílias aumentou de dois para 12 salários mínimos anuais. ''Melhorou demais. Antes eu só tinha uma lavoura, plantava milho. Ás vezes, limpava a terra, plantava e não dava nada. Agora nós plantamos menos, mais variado, e colhemos e ganhamos mais'', comemora o agricultor Urias Assis da Mota, de Barra do Turvo, há quatro anos no sistema agroflorestal.

Em sua terra de um alqueire, onde vive com a mulher e dois filhos, ele produz entre 25 a 30 caixas de produtos por semana, o que lhe garante um ganho de 1,5 a até dois salários mínimos por mês. ''A partir do momento que você começa a colher, não para mais. Eu estou sempre colhendo'', diz. (M.G.)


Fonte: Folha de Londrina - Folha Rural - 22.maio.2010